A função da moda não é um produto que não é um verão ou um inverno, ela também tem uma função de mostrar para as pessoas uma beleza de um bom corte, uma durabilidade de um tecido, ou até uma extravagância de um olhar Muito elaborado.

Mas as vezes ela ocupa uma função bem diferente dessas, ela protesta. E foi essa função que a estilista brasileira Zuzu Angel usou para chamar atenção das pessoas para as atrocidades que aconteciam na ditadura militar.

E aproveitando esse mês de março, mês da mulher,  eu compartilho com vocês um pouco da história de Zuzu, uma mulher bem à frente do seu tempo, que lutou bravamente por seu filho, e que ficou muito conhecida por ser a primeira estilista brasileira a levar suas criações para desfilar em Nova York.

Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, foi um ícone da moda nos anos 70. E também um símbolo da luta contra a ditadura no Brasil.

Desde criança , zuzu já começa a ter gosto pela costura e criava modelos, fazendo roupas para suas primas. Na sua juventude ela se mudou para o Rio de Janeiro, e lá abriu uma loja na Ipanema onde vendia suas peças.

Zuzu teve o auge da sua carreira nos anos 60 e a nossa cultura era sua maior referência, e por toda essa originalidade pulsante em suas criações, Zuzu se destacou no exterior. Ela conquistou muitos norte-americanos e teve suas peças em muitas vitrines de grandes lojas famosas nos Estados Unidos.

Ela Abusava do uso de chitas, rendas, sedas e fitas. Gostava muito de tecidos com estampas de animais ou com temas regionalistas. Zuzu estava sempre inovando, mas não se fazia de sofisticada. Não costurava apenas para as mulheres ricas . Seu intuito também era vestir a mulher comum.

Suas roupas passaram a ser vendidas em lojas de renome como Bergdorf Goodman, Saks, senhor & Taylor, Henry Bendell e Neiman Marcus. Com sua relativa notoriedade internacional, ela envolveu em sua causa celebridades de Hollywood que foram seus clientes, como Joan Crawford, Liza Minelli e Kim Novak.

Mas na virada dos anos 60 para os anos 70, Zuzu começa a passar por tempos bastante difíceis.

Stuart Jones, filho de Zuzu e então estudante de economia, passou a integrar como organizações que se uniram no Brasil, instaurada em 1964, filiando-se ao MR-8, grupo guerrilheiro de ideologia socialista do Rio de Janeiro. Stuart foi preso em 14 de abril de 1971, Stuart foi torturado e morto pelo Centro de Informações da Aeronáutica (CISA) no aeroporto de Galeão e dado como desaparecido pelas autoridades.

A partir daí Zuzu entraria em uma guerra contra o regime militar pela recuperação do corpo de seu filho, envolvendo os Estados Unidos, país de seu ex-marido e pai de Stuart.

Usando sua influência nos EUA na década de 70, Zuzu organizou um desfile protesto em NY, utilizando bordados, estampas e faixas de luto, uma coleção estampada com manchas vermelhas, pássaros engaiolados, tanques de guerra e anjos presos.O uso dessas metáforas foi a solução que encontrou para simbolizar em seu trabalho a história de seu filho.

 

Foi um marco, a moda sendo usada como suporte para uma mensagem politica. O desfile gerou comoção e foi parar no New York Times.

A busca de Zuzu pelas explicações, pelos culpados e pelo corpo do filho só terminou com sua morte, ocorrida na madrugada de 14 de abril de 1976, num acidente de carro na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (Estrada Lagoa-Barra), Rio de Janeiro, hoje batizado com seu nome. O carro dirigido por ela, derrapou na saída do túnel e saiu da pista, chocou-se contra a mureta de proteção, capotando e caindo na estrada abaixo, matando-a instantaneamente. Ela foi  sepultada no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Uma semana antes do acidente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque de Hollanda um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse, em que escreveu:. “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.

E assim, como uma forma de protesto contra o regime militar, Zuzu criou “A primeira coleção de moda política da história”